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RENACE

REDE NACIONAL DE CANTEIROS EXPERIMENTAIS

A RENACE foi idealizada em 2023 a partir de estímulos do II Seminário de Canteiros Experimentais em Escolas de Arquitetura e Urbanismo, realizado presencialmente no Rio de Janeiro no início do mesmo ano. Em junho realizou sua primeira reunião - a distância - com objetivo de organização deste III Seminário e I Encontro Nacional de Canteiros Experimentais.

 

Desde então, é formada por 40 canteiros experimentais de escolas de arquitetura e urbanismo e espaços livres de formação no campo da construção civil democrática. 

Justificativa da formação de rede e realização do evento

A atual demanda por escolas de arquitetura e urbanismo capazes de formar profissionais com a compreensão da indissociabilidade entre o ensino do projeto e o da construção, tem provocado – ainda que em número reduzido se comparado ao número de faculdades de arquitetura do Brasil – a criação de ambientes e lugares propícios para a síntese entre os canteiros de obra e as pranchetas, denominados “Canteiros Experimentais”. O caráter experimental destas iniciativas possibilita ações, pedagogias, projetos, investigações, pesquisas, ensino e aprendizagem não hegemônicos. Deste modo, livre dos compromissos do mercado - e o trabalho alienado - colados à realidade de demandas pela produção de mercadorias, o ensino nos canteiros experimentais geralmente evolui para processos de autonomização e de emancipação daqueles que o vivenciam.

 

Surge, assim, a necessidade premente de redefinir não apenas a estrutura institucional que impulsiona tais mercados, mas também os métodos e táticas de atuação no campo da concretização, visando a criar mudanças respaldadas por novas estruturas e relações laborais nos canteiros de obras. Um caminho possível é a reaproximação com o lugar da construção, com os canteiros, e com os trabalhadores destes canteiros – detentores da prática da produção real da arquitetura. No convívio, a troca de saberes ocorre naturalmente. Mas, para além da simples troca, uma práxis se faz possível quando o lugar oferece oportunidade de tentar algo novo, de se pensar sobre o que se faz e – principalmente – as ações de projetar e de se construir acontece junto. Se a hipótese em questão é a possibilidade de emancipação ao trabalhar junto, este “se colocar junto” figura, então, como estratégia.

 

No ensino da arquitetura e do urbanismo, é imperativo que tais canteiros incorporem uma compreensão aprofundada do panorama atual, direcionando esforços para fortalecer o desenvolvimento social.

 

É nesta perspectiva que um Canteiro Experimental Aplicado à Arquitetura e ao Urbanismo se revela como um agente transformador de grande relevância, exercendo impacto tanto na sociedade que o acolhe quanto no coletivo de discentes e docentes que nele operam. O canteiro, assim, como lembra Reginaldo Ronconi sobre o Canteiro Experimental da FAU USP,

“Trata-se, portanto, de um espaço que talvez forneça a primeira oportunidade para que valorizem algumas de suas ferramentas intelectuais já esquecidas e, também, para retomar o sentido natural para a produção do conhecimento. As aquisições intelectuais não ocorrem pelos estudos de regras e leis – como por vezes se crê –, mas pela experiência”. (RONCONI, R. L. N. O canteiro experimental e a formação do arquiteto e urbanista. in: MOASSAB, A. (org); NAME, L. (org). Por um Ensino insurgente em arquitetura e urbanismo. Foz do Iguaçu: EDUNILA, 2020)

Faz já cinquenta anos que professores de arquitetura no Brasil, e no mundo, têm experienciado o ensino da arquitetura e do urbanismo através deste tipo de vivência pedagógica, com atividades práticas, materiais, físicas e construtivas, além das atividades teóricas do desenho e do projeto. Há, de modo geral, um entendimento que estes conhecimentos – o pensar projetual e o fazer construtivo – são complementares e interdependentes, ou até indispensáveis ao ensino da arquitetura e do urbanismo, já que a arquitetura e o urbanismo – objeto e produto fim das escolas – são espaços existentes na realidade, são físicos, são materiais e construídos pelo trabalho humano.

 

Para tanto, uma das estratégias adotadas para o evento é de realizar diálogo mais próximo – presencial – com representantes de experiências de canteiro experimental profícuas à partir de estímulos diretos do Prof. brasileiro, Sérgio Ferro, na França: trata-se dos “Grands Ateliers”, localizado em Villefontaine, próximo a Lyon, região sudeste da França. É a maior infraestrutura tecnológica/pedagógica de vivências do trabalho prático de produção de arquitetura existente, e atende a 14 escolas do país. Ali atua com experiências práticas de arquitetura o laboratório de pesquisa e extensão com atuação internacional mais ampla na área da habitação e do patrimônio, chamado CRAterre, reconhecido pela UNESCO como tal, por atuarem nos cinco continentes. Professor deste grupo, Thierry Joffrey, estará presente no encontro para intercâmbio cultural, com a participação em oficinas de práticas construtivas e de métodos de ação junto a movimentos populares. Do mesmo modo, representante da escola de arquitetura do Perú, a PUC, associada ao CRAterre também estará presente a debater métodos e estratégias da práxis.

 

No Brasil, experiências pedagógicas nesse sentido datam dos anos 1970, sendo realizadas em Campinas, no estado de São Paulo e depois em diversas outras escolas. Há registros iniciais de seu aparecimento em Santos, Taubaté, São Paulo, Piracicaba, dentre outras. Outros estados também o fazem, de modo autônomo e isoladamente até, graças a intencionalidade de professores com visão parecida. Por vezes os canteiros experimentais são criados por meio de diálogos e trocas entre professores de diferentes faculdades, mas ainda assim, esses contatos são realizados de modo espontâneo, sem que haja alguma forma organizada de interação. Nesse sentido, de modo a potencializar esse encontro e a necessária troca entre as experiências é que um dos objetivos do presente evento é a criação de uma rede destes espaços com tais características. Ao mesmo tempo, o evento busca sensibilizar a comunidade acadêmica do campo de ensino da Arquitetura e Urbanismo para que mais escolas também tenham tais práticas em seus currículos, bem como a infraestrutura necessária para sua realização. Vale lembrar que o espaço e a prática pedagógica em tela no presente evento constam nas diretrizes curriculares de ensino da arquitetura e urbanismo nacional.

 

Ao final, espera-se que os profissionais formados nesses espaços de encontro do desenho com o canteiro, pela práxis, possam ser melhores profissionais, mais entendedores da arquitetura enquanto matéria construída, com peso, densidade, textura, dureza e realizada por trabalho humano, físico, a fim de que possam realizar projetos mais belos e conscientes do importante fator da "construtibilidade" das coisas, e o respeito solidário e inclusivo dos conhecimentos dos construtores.

 

Coadunando com os objetivos do presente encontro, é notório que no ano de 2022 o CAU/SP tenha realizado uma campanha em favor da melhoria da qualidade do ensino da arquitetura e urbanismo e uma das bandeiras levantadas foi a da necessidade da presença de canteiros experimentais nas escolas. A própria realização desse encontro com âmbito nacional, demostra o grau de maturidade que o tema é tratado no país.

 

Em síntese, a abordagem do Canteiro Experimental, permeada pela interação, participação e reflexão, configura-se como um caminho promissor para a construção de cidades mais resilientes, socialmente justas e intelectualmente enriquecedoras. Ao adotar esta perspectiva, não apenas se erigem novas estruturas físicas, mas se forja uma mentalidade mais consciente e sustentável. O canteiro experimental, ao explorar e fortalecer a ideia de universalização dos usos da arquitetura e construção, contribui para a universalização dos conhecimentos. Essa abordagem visa não apenas o fortalecimento da arquiteta e do arquiteto como indivíduo autônomo e detentor de suas ideias, mas também a formação de profissionais com plenitude de conhecimentos por meio da vivência construtiva coletiva. Em suma, a experiência no canteiro experimental se configura como um componente indispensável para a formação integral do arquiteto, permeando aspectos teóricos e práticos e promovendo uma compreensão mais profunda e menos alienada das dinâmicas arquitetônicas e construtivas.

comissão organizadora

edições anteriores
i SEMINÁRIO DE CANTEIRO EXPERIMENTAL EM ARQUITETURA E URBANISMO - RIO DE JANEIRO

O I Seminário Canteiro Experimental em Arquitetura e Urbanismo, foi promovido pelo Canteiro Experimental da FAU/UFRJ e pelo Grupo PET Interdisciplinar Canteiro Experimental e Comunidades, e pretendeu debater a experimentação construtiva como uma ação de convergência entre ensino, pesquisa e extensão, na formação do arquiteto e urbanista e no seu diálogo com outros campos de saber. O intuito do Seminário foi apresentar práticas pedagógicas em canteiro experimental e projetos de extensão desenvolvidas pelas universidades além das vivências de profissionais arquitetos e urbanistas, egressos da FAU UFRJ que hoje trabalham com experiências construtivas no seu exercício profissional. Nele,contou-se com a participação de professores e profissionais que apresentaram suas contribuições neste campo, seja no âmbito da academia quanto do mercado de trabalho.  Participaram também os Canteiros experimentais existentes à época  nas  Universidades do Rio de Janeiro.

Além disso, contou-se com o apoio e participação do Canteiro da IAU USP. A Conferência de abertura, intitulada "O Canteiro como escola: Ensino de Projeto e Construção em Cursos de Arquitetura e Urbanismo" foi ministrada pelo prof. João Marcos de Almeida Lopes do IAU-USP, São Carlos/SP. Na sequência a mesa Canteiros Experimentais nas Faculdades de Arquitetura e Urbanismo do Estado do Rio contou com a presença da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ, da Pontifícia Universidade Católica PUC RIO e da Universidade Santa Úrsula. Instituições que naquele momento já contavam no Estado do Rio de Janeiro com Canteiros Experimentais instalados. Também foram convidados para o evento profissionais de Arquitetura e Urbanismo e escritórios cariocas, com forte atuação na prática construtiva, para debater a importância da experimentação no desenvolvimento de seus projetos e obras.

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O primeiro evento foi publicado em um sítio de internet com importante circulação: https://www.archdaily.com.br/br/884397/seminario-canteiro-experimental-em-arquitetura-e-urbanismo

ii SEMINÁRIO DE CANTEIRO EXPERIMENTAL EM ARQUITETURA E URBANISMO - RIO DE JANEIRO

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Já em 2023, durante os dias 25 e 26 de maio, ocorreu o II Seminário Canteiro Experimental em Arquitetura e Urbanismo, com o tema: ‘Ensino de construção para uma arquitetura social”, também na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (FAU-UFRJ), na cidade do Rio de Janeiro. O evento foi promovido pelo Canteiro Experimental da FAU/UFRJ e pelo Grupo PET Interdisciplinar Canteiro Experimental e Comunidades, e foi apoiado pela FAU-UFRJ, realizado pelo Laboratório de Materiais e Estudo dos Solos (LEMC), Canteiro Experimental, Grupo de Pesquisa Gestão de Projetos em Arquitetura (do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura) e Departamento de Tecnologia da Construção. Face à considerável restrição de recursos financeiros e visando ampliar a escala de abrangência, foi adotado formato híbrido. 

O intuito do Seminário foi apresentar práticas pedagógicas em canteiro experimental e projetos de extensão desenvolvidos pelas universidades que se identifiquem com a vivência construtiva, além das experiências de profissionais arquitetos e urbanistas, que hoje trabalham com experiências construtivas e com forte atuação social no seu exercício profissional. O Seminário contou com a participação de professores e profissionais que apresentaram suas experiências e contribuições no campo da prática construtiva, seja no âmbito da academia quanto do mundo profissional. O tema geral norteou o tema das 4 sessões realizadas nos dois dias, conforme lista a seguir, com seus respectivos convidados e participantes:

1. Consolidação dos canteiros experimentais no ensino de arquitetura

● Conferência Conversando sobre um canteiro - Prof. Reginaldo Ronconi (USP)

● Experiências pioneiras na cidade do Rio de Janeiro - Prof. Rafael Hanzelmann (USU), Prof. Luciano Alvares (PUC RJ), Prof. Marcos Silvoso (UFRJ) e Prof. Thiago Grabois (UFRJ)

 

2. Desafios na implantação de novos canteiros e experiências latinoamericanas

● Prof. Beatriz Temtemples (UNIFESO), Prof. Fernando Minto (UERJ)

● Videoconferência Taller de Titulacion - Prof. Victor Letelier (EA_Talca)

● Videoconferência Ensino de Tecnologia - Prof. Eduardo Aguirre (EA_Talca)

 

3. Os novos perfis de estudantes e novos interesses de pesquisa e extensão

● Prática construtiva e habitação social no ensino de arquitetura - Prof. Conrado Carvalho (IFF/UFRJ)

● Gestão de requisitos de sustentabilidade social: estudo sobre os operários de construção civil - Arq. Eduarda Alberto (UFRJ)

● Habitação e saúde: melhorias habitacionais em moradias precárias de famílias em condições de vulnerabilidade social - Arq. Raquel Cordeiro (Instituto Dara) e estudantes extensionistas da UFRJ (Daniel Vasconcellos e Renata Assumpção)

● Programa de Educação Tutorial Canteiro Experimental e Comunidades (UFRJ) - Tutor Prof. Marcos Silvoso e estudantes extensionistas (Amanda Stroke, Beatriz Santos, Caio Costa, Emily Gomes, Hugo Reis, Jacielly Santos, Jheinifer Barbosa, Juliana Laís, Maria Eduarda Portugal, Nicole Borges, Stefani de Paula).

 

4. Assistência e Assessoria Técnica para Habitação de Interesse Social

● Canteiro Experimental e ATHIS: a experiência do Tijolinho - Arq. Lixo Teixeira (Observatório das Favelas), Prof. Luciana Figueiredo (UFRJ) e Prof. Alcyr de Morisson (UFRJ)

● Arquitetura no canteiro de obras - Arq. Renan Grisoni e Arq. Cleuber Jr. (ambos do Palete Parque Urbanismo e Arquitetura e Associação Onze Assessoria e Assistência Técnica em Arquitetura, atuantes no Espírito Santo).

renace 2023 - São Paulo

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17 a 20/novembro | Rio de Janeiro, RJ, Brasil

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